Permacultura: 4 Princípios Capazes de Tornar Sua Vida Melhor

Permacultura
Foto por Farsai C. no Unsplash

Permacultura: 4 Princípios Capazes de Tornar Sua Vida Melhor
Artigo escrito por Ludmila do Prado

Apesar de os problemas do mundo serem cada vez mais complexos, as soluções continuam embaraçosamente simples.

– Bill Mollison

Afinal, o que é permacultura?

Considerando a palavra “cultura” como “cultivo de algo”, uma cultura permanente, ou “permanent culture”, de maneira resumida, é ter um meio de vida que nos permita produzir e consumir permanentemente, sem que os recursos usados se esgotem ou diminuam. Ao contrário: a proposta é não apenas usar, mas também produzir recursos.

Quando os criadores da permacultura, os ecologistas australianos Bill Mollison e David Holmgren, pensaram nos princípios que regeriam esse sistema, queriam que fossem muito simples. A intenção na permacultura é que não haja pré-requisito para entendê-la e praticá-la.

Não é feita somente para biólogos, botânicos, nem engenheiros ambientais. Ela foi pensada para toda pessoa que tenha boa vontade em fazer o seu melhor para si próprio e para os demais.

Neste contexto, a ideia é planejar um ambiente, seja uma propriedade urbana, rural, ou até uma cidade inteira, para que funcione como um ecossistema, ou seja, sem desperdícios de recursos e com harmonia e integração entre os elementos. Havendo necessidade de qualquer modificação, que ela seja planejada para acontecer com a menor intervenção possível.

É simplesmente trabalhar em conjunto com a natureza a partir da observação.

Dizem que um bom permacultor não trabalha mais que quatro horas por dia. Isso porque o trabalho foi feito previamente, foi pensado para funcionar naturalmente e fluir.

O curso que forma permacultores, as pessoas que irão projetar esses sistemas, chama-se PDC: Permaculture Design Course. Pensar neste tipo de funcionamento integrado, nada mais é do que desenhar como isso vai acontecer.

Fatores como a quantidade de luz solar em cada época do ano, o caminho de escoamento das águas, solos, materiais disponíveis, são levados em consideração para construir, plantar e armazenar água, para resultar em uma vida vivida com qualidade.

Na prática, como é?

Quando fiz essa imersão – o currículo do PDC exige 72 horas de aulas, de preferência ininterruptas – a primeira lição foi a ética da permacultura, que é: cuidar das pessoas, cuidar do planeta e compartilhar os excedentes. Isso significa que todo o desenho da permacultura segue esses princípios éticos.

Com a prática, começamos a entender fazendo. No auge da crise hídrica em São Paulo, abri minha torneira da cozinha e não saiu uma gota. Algo muito inesperado e eu não havia sido avisada. Achei que era obrigação minha, ao me tornar permacultura, fazer alguma mudança. Como eu não queria mais passar por falta de água na minha casa, o que eu fiz tendo como base o que aprendi na permacultura?

Passei a armazenar água. A maneira mais fácil e rudimentar que encontrei foi colocando um grande recipiente no quintal para captar água de chuva.

Mas isso é válido, você poderia perguntar? Parece pouco, soa até ingênuo, achar que colocar uma barrica para armazenar água possa fazer alguma diferença para o mundo. Aí é que está uma das sacadas da permacultura:  não há inutilidade nas pequenas ações. Inclusive um dos princípios é justamente o de utilizar o que se tem em mãos, começar pequeno e lento. Não menosprezar qualquer mudança realizada para beneficiar.

Estou ajudando pessoas? Sim, estou reduzindo minha dependência de uso de água. Então, por mínimo que seja, haverá mais água à disposição. Além, de diminuir minha conta, claro. O planeta? Sim, pelo mesmo motivo, o que me coloca em ação conforme dois dos princípios éticos.

Outra questão que sempre surge: moro em apartamento, tenho condição de tomar alguma atitude “permacultural”? Um pallet pode virar suporte de horta vertical para vasos de temperos e chás – vai aromatizar, fornecer produtos, embelezar e começa a ser um hobby.

Condomínios são ótimos para propor feiras de trocas. O Natal se aproxima é um bom momento para ensinar sobre consumo para as crianças.

Essas ações têm potencial para vir a se tornar um elo dentro de um planejamento maior, sempre mirando a maior autossuficiência possível do lugar. É uma filosofia de vida na qual a criatividade é super bem-vinda e onde tudo tem que ter duas funções, no mínimo.

4 princípios da permacultura capazes de tornar sua vida melhor

Ao todo, a permacultura está embasada em 12 princípios de planejamento. Aqui estão 4 deles, os quais considero “princípios chave” para quem está começando. Escolhi estes, em especial, porque são transformadores ao serem aplicados às nossas vidas pessoais.

Pensando na permacultura para nós, nas nossas atitudes rotineiras, começamos a internalizar e a ter vontade de avançar em direção aos demais princípios que a compõem.

1. Observar para interagir

Às vezes chegamos dando nossa opinião em tudo quase sem refletir. A observação atenta de nosso próprio comportamento vai fazer a gente se relacionar melhor com a gente mesmo e com outros, evitar quem nos estressa, nos aproximar de quem nos alegra e interagir com mais sabedoria.

2. Integrar ao invés de segregar

Nem precisa maiores argumentos, não é mesmo? Com o mundo todo se conectando, não faz sentido as pessoas se repelindo por conta de diferenças. Conviver com diferenças amplia nossa maneira de enxergar a vida.

3. Praticar autorregulação e aceitar críticas

Ter autocontrole diante das situações nos faz mais resilientes, nos prepara para saber melhor o que fazer e sair de uma situação difícil mais rápido. Ouvir de coração aberto opiniões, mesmo negativas a nosso respeito, nos ajuda a amadurecer e a evoluir como ser humano.

4. Usar soluções pequenas e lentas

Principalmente quando o final de ano está se aproximando, costumamos escrever nossas metas para o ano seguinte. Poupar 50% do salário todo mês para comprar um carro em 6 meses. Emagrecer 10 kg até o carnaval. Mudar de trabalho em 3 meses. Estes são exemplos clássicos.

E aí não acontece e desanimamos. Aprendemos na permacultura a “quebrar” grandes projetos em etapas pequenas. Provavelmente se pouparmos 10% do que ganhamos, demoraremos mais para comprar um carro, mas a chance de ter disciplina para economizar esta quantia aumenta bastante.

Da mesma forma, emagrecer aos poucos e aumentar o período para a mudança de trabalho, usando o momento para se preparar mais, aumentam as possibilidades de concretização dessas metas.

Mais do que um conjunto de técnicas ambientalmente corretas, a permacultura é um jeito de viver com mais autossuficiência e propósito. Ela nos abre os olhos para o que é importante de verdade, que é o cuidado nas relações, entre nós e entre o que nos cerca nesse mundo.

Uma revolução silenciosa motivada simplesmente pelo ser e fazer feliz.

Para saber mais sobre permacultura

Cursos para formação em permacultura:

https://www.facebook.com/events/112602672771115/

http://www.sitioolhodagua.net/site/?page_id=55

Artigo escrito para o Viva mais verde por Ludmila do Prado, jornalista, especialista em comunicação e permacultora. Você tem desejo de contribuir para o Viva mais verde? Saiba mais aqui.

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